Quais os desafios da vida? O indivíduo procura vencer na vida sem ao menos saber o que isso significa. Será que só viverá feliz se assistir os "100 filmes que devem ser assistidos antes de morrer"? Ou quando realizar as "30 viagens que devem ser feitas antes de morrer"? Quando comprar o carro dos sonhos? Quando transar com mais de cem pessoas? Depois que usar todos os tipos de drogas que estão ao alcance?
Nasce o humano. Por sorte estará cercado de pessoas com quem conviverá. Destas irá adquirir hábitos, costumes e valores. Com o tempo, irá desenvolver seu próprio pensamento e influenciar o pensamento e a vida de outras pessoas enquanto continua a ser influenciado, isto, até o dia de sua morte.
Todas as lembranças que esse indivíduo tem das experiências que vivenciou vão com ele. As histórias contadas pela mãe, as travessuras com os amigos de infância, os desafios superados, os filmes assistidos, as viagens, os carros, as transas, as drogas etc. Então, assim sendo, o indivíduo parece ser nada mais que algo passageiro, portanto, irrisório diante da grandiosidade do tempo. Só isso mesmo?
Ao considerar que o ser humano só existe para si mesmo, a fim de garantir seus próprios prazeres, pode ser dito que sim. Porém, é de lembrar-se que a existência finita deste ser é marcada por influências que este exerce. Dessa forma, pode ser dito que de algum modo, o indivíduo, ou pelo menos algo deste, continua existindo, não em si mesmo, mas sim, nos que conviveram com ele e nos que conviverão com estes.
O que é mais importante: a efemeridade do prazer individual ou a continuidade do legado deixado? Há sentido em justificar um modo de vida baseado na busca incessante por prazeres carnais com o fato de que esta um dia irá acabar? Esse mesmo motivo não poderia ser utilizado para justificar uma vida onde há indiferença perante os prazeres sensuais?
São mais perguntas do que respostas. Mas, parece claro que não há propósito para afirmar que uma busca pelo prazer seja melhor, ou mais vantajosa, que outro estilo de vida. Também não há como afirmar, com base no que foi dito, que se o ser deixou de assistir aqueles filmes, virar aqueles copos, viver aqueles momentos, ele teve uma vida inferior.
A proposta é que vivemos para o outro. O que irá para o túmulo se transformará em pó e as lembranças da carne se perdem junto com ela. Já a palavra, o pensamento e o convívio, ficam com aqueles que estiveram com quem se foi, e estas lembranças serão transmitidas de indivíduo para indivíduo, de tempos em tempos, transformando-se, diluindo e fluindo no que estará por vir.
Isso é melhor ou pior? Não se sabe nem mesmo se o que é melhor ou pior existe.
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