sexta-feira, 15 de abril de 2011

Isoladas no pacífico

   Duas ilhas no oceano pacífico. Ambas são extremamente isoladas, habitadas por tribos nativas, possuem vegetação e fauna características, isoladas do resto do mundo, não importam, são apenas mais duas entre as milhares que existem no pacífico.
   Ficam muito distantes também uma da outra. A primeira é minúscula, tão pequena que é possível ouvir o som do mar de qualquer parte da ilha. Possui pouco mais que algumas centenas de habitantes, mas, devido ao seu tamanho tem uma das maiores densidades populacionais do planeta. Seus habitantes são obrigados a se adequarem às limitações impostas pela natureza, constantemente sofrem com tufões, tempestades, maremotos etc.
   Apesar das dificuldades, o povo dessa ilhota sabe sobreviver bem, sem ter que recorrer a guerras ou comércio com outras ilhas (que já seria quase impossível por causa do isolamento). O solo da ilha é totalmente aproveitado para a agricultura, e isso não quer dizer que foi necessária a destruição das florestas nativas para a construção de plantações, ao invés disso a população soube equilibrar bem a produção de alimentos e a sustentabilidade ambiental, talvez  porque esse povo sabe que com a destruição da natureza local seria impossível haver alimentos, e por tanto vida. Os locais de cultivo são inteligentemente selecionados de modo que não afetam a vida silvestre e conseguem se manter estáveis. É sabido que ao colonizar a ilha os primeiros habitantes trouxeram alguns suínos que utilizavam na alimentação, mas após algum tempo com o aumento da população, perceberam que os porcos consumiam muito alimento e produziam pouco comparado às prática agrárias, por isso a criação de animais foi banida da ilha. Outra fonte de alimento vital para a sobrevivência na ilha é a pesca, os nativos conhecem o mar ao seu redor como se fosse a sua casa. Todos os bens são compartilhados, a comunidade se esforça pelo bem comum, vivem em sintonia com a natureza e com o próximo, um ser alienado dito civilizado poderia chamar este exemplo de utopia por só enxergar a possibilidade de uma sociedade destrutiva e desigual.


   A outra ilha é maior. Não chega a ser grande mas tem um espaço considerável. Nela não se encontram grandes quantidades de árvores, nem de vegetação, coisa que deve ter existido no passado. Seus primeiros habitantes se dividiram em tribos e foram cada um para uma parte da ilha. Em determinado momento alguém resolveu iniciar uma atividade no mínimo curiosa, a de esculpir estátuas gigantes. Utilizando pedras vulcânicas cada clã queria construir um monumento maior do que o construído pelo outro, dessa forma a sociedade da ilha se envolveu em uma disputa acirrada. Para o transporte das enormes figuras de pedra eram utilizados troncos de árvores, praticamente toda a mão-de-obra era utilizada na produção e transporte dos chamados moais  que eram tidos como prioridade. Tantos ídolos foram construídos que a vegetação da ilha ficou escassa, então os clãs começaram a disputar a madeira restante se envolvendo em batalhas sangrentas. No final das contas ninguém ganhou pois a ilha foi devastada, houve um verdadeiro colapso social, e tudo isso por causa destas conhecidas figuras:
   As estátuas existem até hoje, a comunidade foi destruida. De modo inconsequente e por um motivo banal essa parcela da humanidade se auto-destruiu. Hoje, os ídolos construídos por eles são admirados no mundo todo. Isso mesmo, admiramos a imbecilidade de outros povos que reverenciaram  e causaram destruição por causa do que saiu das suas próprias mãos. Talvez por terem comportamento semelhante ao nosso...
   As breves histórias contadas aqui são verídicas. Provavelmente quem leu este texto já conhecia a segunda sobre a ilha de Páscoa, por causas dos famosos moais. A primeira é sobre o povo da ilha de Anuta.

Com qual desses dois povos nós, os "seres civilizados", nos parecemos?
                                                                                                                                   

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