domingo, 17 de abril de 2011

A imprensa carniceira e o massacre do realengo

   Esta postagem irá tratadar de uma assunto bastante comentado, o massacre do realengo no Rio de Janeiro. Primeiramente gostaria de deixar claro que lamento a tragédia ocorrida, e torço para que as famílias afetadas possam seguir em frente, e principalmente, espero que coisas do tipo não se repitam.

     Um massacre, sangue, pessoas mortas, assunto polêmico, um prato cheio para a imprensa sensacionalista. Já não bastasse a tragédia, as vidas perdidas, o abalo emocional dos familiares e amigos das vítimas, todo o acontecimento foi temperado por um bombardeio sujo das mais diversas teorias sem fundamentos criadas pelos veículos de comunicação nacionais que parecem não ter nenhum código de ética sobre o que deve e o que não deve ser transmitido. Os formadores de opinião não se dão conta do seu papel, utilizam a sua importância para conseguirem maiores índices de audiência e engrossarem as arrecadações com publicidade.
   Foi um massacre, neste mundo dominado pelo ódio que habitamos não é a primeira vez que acontece. Mas este tinha detalhes que poderiam atrair a atenção do público. Primeiramente, a imprensa focou no fato do ataque ter sido em uma escola, até aí bem compreensível a grande cobertura jornalística, após isto concentraram-se no fato de que a maioria das vítimas eram do sexo feminino, no mínimo curioso, posteriormente divulgaram uma carta escrita pelo autor da barbárie, começando assim uma investigação paralela à policial baseada na publicação de tudo que fosse encontrado sobre o assunto.

   Esta investigação paralela promovida pelo jornalismo carniceiro, que infelizmente atrai grande público neste país, não preocupava-se em esclarecer os fatos, mas sim em divulgar conteúdos que fossem considerados atrativos de audiência. Esta prática já é tradição no Brasil, basta lembrar de casos como o da família Nardoni, da morte de Eloá etc. Principalmente os telejornais das principais emissoras publicavam, e publicam constantemente reportagens apelativas com conteúdos que só poderiam ser analisados de maneira prudente por especialistas na área. Fizeram uma verdadeira biografia de Wellington Menezes de Oliveira, o autor do crime e suicida. Na pressa de tentar esclarecer algo por conta própria, os jornalistas e repórteres não titubearam, foram logo divulgando tudo que ouviam falar sobre o acontecimento. O telespectador se viu no meio de um tiroteio com as mais variadas informações que relacionavam a tragédia a um comportamento do autor que supostamente incluía, fanatismo religioso, distúrbios mentais, crises familiares, isolamento social, traumas de infância por ter sido vítima de bullying etc. No ápice da tragédia, que incrivelmente não foi logo após o acontecimento desta, numa demonstração do mais puro sensacionalismo inconsequente da velha mídia, conseguiram de alguma forma, relacioná-la ao famoso onze de Setembro.
   Mais recentemente houve a divulgação dos vídeos feitos pelo autor do crime. Apesar da mente perturbada, Wellington de Menezes certamente previa que tudo que fez seria retratado como está sendo agora, e por isso deve ter feito esses vídeos com o intuito de não ser esquecido tão cedo e de ser "reconhecido". Infelizmente, ele conseguiu. Os veículos de comunicação em massa seguiram o cronograma imposto por Wellington, ou seja, a publicação do seu material de propaganda. Na pior das hipóteses, outros "garotos" com comportamento semelhante podem se inspirar no ato, já que este recebeu tratamento especial da mídia nacional. O ato de horror começou com uma mente vazia, dominada pelos mais obscuros sentimentos, e ganhou força nas mentes oportunistas e gananciosas da mídia inescrupulosa.
   Para nós, meros espectadores de tudo, resta a torcida pela recuperação das pessoas que sofreram com o acontecimento, e também a esperança para que coisas desse tipo não virem moda, já que grande parte da mídia, com excessão de algumas instituições que prezam pela ética,  fez o seu papel de modo irresponsável ajudando no "mérito" da tragédia.

                                                                                                                                  

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