"Um moleque sem nome esta parado em frente ao seu portão
batendo palmas, pra chamar sua atenção
com carrinho de papelão lotado de traumas
ele esta preste a se tornar um homem sem alma
e ai, vai atender ou vai fingir que não esta em casa?
tem um anjo em seu portão batendo palmas
um anjo sem asa pedindo algo pra comer
ele anda sozinho catando lata até o escurecer
o dia inteiro com fome, sujo, triste e cansado
chegou em casa do ferro velho com apenas um cruzado
e um saquinho de um quilo de fuba nas mãos
com nove anos ele ajuda a sustentar seu irmãos..."
trecho da música: Anjo sem asa - expressão ativa
Este trecho acima é um autêntico Rap ( rhythm and poetry em inglês que significa ritmo e poesia, ou simplesmente, revolução através das palavras). O ritmo da periferia, o verdadeiro hino da periferia, seus autores não tem medo de relatar as realidades do cotidiano que são frequentemente ocultadas pela mídia. Nasceu na Jamaica, ganhou fama nos Estados Unidos, chegou em diversas partes do mundo incluindo o Brasil.
Esse ritmo sofre forte preconceito principalmente por parte das elites que usam como desculpa à utilização de gírias e palavrões em suas letras, os grupos dominantes aproveitam o poder que exercem sobre os meios de comunicação e com isso escorrem seus estereótipos para as classes mais baixas que acabam aderindo às suas ideias, por isso, muitos que não conhecem o rap, acreditam que este seja música de bandido, que faz apologia ao crime etc.
Enquanto isso, programas de TV, majoritariamente aqueles do domingo a tarde, divulgam outro ritmo de periferia, com origem distinta ao rap, mas com certo apelo mercadológico, o Funk carioca.
Breve comparação entre os dois estilos: o rap possui como principais características o protesto, a crítica social, letras longas e de certa complexidade, pouca preocupação com a estética usual em outros estilos musicais, utilização de gíria e palavrões para expressar revolta, batida repetitiva, crítica ao crime e às drogas (com raras exceções que fazem o oposto). Já o funk carioca apresenta a banalização e apelação sexual, letras curtas e absolutamente simples chegando ao ponto de uma música ser um refrão interminável, muitas vezes faz apologia ao crime e às drogas, uma verdadeira pornografia musical, e vende.
Com a ascensão do funk influenciada pela mídia, o rap nacional perdeu espaço. Aqui no Brasil o que houve foi a forçada substituição do rap pelo funk, já nos EUA o que aconteceu foi a transformação do rap na chamada black music (mais um ritmo que segue as diretrizes do mercado).
Favor não confundir RAP com FUNK
Enfim, mundo capEtalista (com E mesmo), tudo vira mercadoria, o que critica esse sistema é rejeitado pela maioria. Para não virar apenas um texto raivoso vou postar algumas dessas músicas para que apreciem :
Um clássico
Inspirou parte do meu texto
Rap gospel
Esse não é uma música mas é interessante ( Atenção!Não estou fazendo propaganda política de ninguém.)
Um mais atual para finalizar
Uma recomendação: espaço rap na http://www.radio105fm.com.br/ no horário da noite, menos nos dias que tem futebol.
Me desculpem se fui um pouco amargo, mas como diria Belchior :
"Sons, palavras, são navalhas"
Até à próxima postagem (se ela vier a existir)
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