domingo, 22 de maio de 2011

Maconha: qual dos mercados?

   Recentemente, publiquei aqui no blog um texto que procurava retratar a minha visão sobre a legalização da maconha. Este pode ter ficado um pouco obscuro em certos pontos, pois o que acabei realizando foi apenas a contraposição de argumentos utilizados pelos adeptos da legalização da erva.

   Ao ligar a TV não é necessário esperar muito tempo para se deparar com um comercial incentivando o consumo de bebidas alcoólicas. Estas propagandas tentam descaradamente enganar o público, passando a ideia de que a utilização dessas substâncias está ligada diretamente ao sucesso pessoal. Desta forma o álcool deixa de ser um divertimento para virar um problema social, pois passa a ter relação com mortes no trânsito, agressões físicas etc. Estas consequências tornam necessárias algumas medidas repressivas como a "lei seca". A situação do alcoolismo no nosso país pode levantar a seguinte pergunta: uma sociedade baseada no consumo, que permite campanhas publicitárias falaciosas prejudiciais ao bem-estar social e individual, está preparada para a legalização do uso livre de substâncias psicoativas?
   Imagine a maconha sendo legalizada amanhã. Rapidamente, grupos empresariais do país inteiro ou não, se apressariam em providenciar território para o cultivo da Canabbis sativa (nome científico da maconha), parcerias com comerciantes para a  venda da mercadoria, e é claro, propaganda para incentivar o consumo desta. Não seria de se surpreender se os telespectadores se deparassem com um cantor de pagode ou axé da vida no estilo Bob Marley (de trancinha e tudo) cantando Ganja gun com a Tribo de Jah ao fundo fumando um "do bom" (nada contra o reggae, pode até ser considerado um estilo musical de qualidade). Nos dias que seguissem os eventos descritos, aos poucos, cada vez mais pessoas de diversas idades seguiriam em direção aos estabelecimentos que comercializassem o cigarro da marijuana. Sem saber dos seus riscos consumiriam de forma irresponsável, como quase tudo na nossa sociedade, e isso traria muitos problemas.

   E os traficantes? Estes provavelmente não traficariam mais a maconha, porém continuariam comercializando outras drogas, e como não compraram armamentos pesados à toa migrariam em direção à prática de outros delitos. Seria o fim de um mercado que prejudica pessoas do mundo todo, e o surgimento de outro, que pode ser considerado tão prejudicial quanto. O primeiro utilizava como armas o chumbo, o segundo a persuasão.
   Como toda ação gera uma reação, é necessário avaliar as possíveis reações antes de tomar uma decisão. O debate deve ser levado a sério, mas não pode ser isolado, isto é, deve ser levado em conta o contexto do problema, e relacioná-lo a outras discussões. Discussões que tentem repensar o modo de agir da nossa sociedade, sem simplificar os problemas, sem banalizar (o chamado "liberar ou proibir geral"). Afinal nos foi dado um cérebro para isso, uma cultura que torna até o consumo de comida em excesso uma realidade e problema, deve ser repensada, começando pelas questões maiores.



Enquanto no Brasil discutimos pelo prazer de levantar uma bandeira...

2 comentários:

  1. Ai Man, otimo post para variar, mas o comentário é para mostrar a minha revolta com esse aplicativo que vc coloco que mostra de onde as pessoas estão acessando o blog, eu sou d sbc e está mostrando maua¬¬

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  2. muito boa postagem! também concordo com seu ponto de vista: a sociedade não está pronta pra lidar com esse tipo de legalização. E além do mais, tem coisas mais importantes para se preocupar como a saúde que está falida e o grande fosso da desigualdade social, que apesar de dizerem que o país está crescendo, esse crescimento não se mostra efetivo a quem realmente faz o Brasil crescer que somos nós, trabalhadores. Parabéns pela postagem!

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