segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Afinal, o que é o terrorismo?

"A inexistência de um conceito amplamente aceito pela comunidade internacional e pelos estudiosos do tema significa que o terrorismo não é um fenômeno entendido da mesma forma, por todos os indivíduos, independente do contexto histórico, geográfico, social e político. Segundo Laqueur, nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da história" 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo



   Nos jornais são noticiados frequentemente atos considerados terroristas. Geralmente, estes atos se baseiam em ataques contra civis em locais públicos. O mais famoso foi a queda das torres gêmeas do WTC em 2001. Apartir dessa data visivelmente os noticiários começaram a  empregar o termo com mais frequência.
   No ocidente é comum a associação feita pela mídia do terrorismo a grupos fundamentalistas islâmicos. É fato que alguns grupos desse tipo utilizam de táticas que podem ser classificadas como terroristas, porém, nem de longe eles são os únicos. Basta lembrar o recente caso do terrorista norueguês.
    Mas, o mais obscuro de tudo isso é a diferenciação que usualmente é criada entre alguns atos considerados terroristas e outros que são classificados como ações que prezam pela paz mundial. Por exemplo, de acordo com a pesquisa publicada pelo Bureau of Investigative Journalism só os ataques com aeronaves não tripuladas que os EUA fizeram no Paquistão geraram 2.292 mortes, sendo 385 destas vítimas civis, e dentre elas há pelo menos 160 crianças.
   Visto que o uso de violência contra civis é comumente classificado como terrorismo, poderíamos então classificar o exército estadunidense como uma entidade do terror. Para isto foi necessário apenas alguns dados atuais sobre ações de um tipo de arma usada por esse exército, ignorando todo o resto que ocorreu nesta guerra além de ignorar outras guerras e atrocidades cometidas pelo "Tio Sam" (uso de armas químicas no Vietnã, as bombas atômicas atiradas contra civis no Japão etc.).
   Mas, então porque os veículos de comunicação no Brasil e em outros países são tão obscuros em suas classificações? Alguns dos atos das ditas organizações terroristas (aqueles que dão a elas esse título) não se enquadram na mesma classificação que alguns dos atos do exército estadunidense?
   A denominação de um ato como sendo terrorista geralmente é muito parcial. Dificilmente um ocidental chamaria a ação dos exércitos estadunidenses e de alguns países europeus no oriente médio, por exemplo, como uma ação terrorista. Assim como é bem difícil um palestino que sofre sob a ação dos sionistas na faixa de gaza nomear o Hamas como um grupo terrorista.
   O ato terrorista não deveria ser classificado devido ao grupo pelo qual ele foi praticado, mas sim de acordo com a sua natureza (pelo menos se o classificador prezar pela imparcialidade). Ações violentas contra civis são praticadas desde os tempos antigos e provavelmente nasceram juntamente como uma coisa chamada guerra. O intuito desse texto não é amenizar as consequências do que pode ser chamado de terrorismo, mas sim elucidar que este termo é utilizado muito mais como forma de manipulação ideológica e informacional do que como nomeação de determinados tipos de ações.
   Está para nascer a guerra sem terrorismo. A guerra em si já é um terrorismo, pois os maiores prejudicados sempre são os civis, direta ou indiretamente. Portanto, uma expressão como "guerra ao terrorismo" é dotada de uma hipocrisia das mais nefastas.




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