Em um planeta onde grande parte da população é pobre, a única lógica em se cobrar preços inacessíveis em remédios e vacinas é a do lucro individual que, na atual sociedade, é mais “coerente” do que a lógica em se fazer o bem para a humanidade.
Além de preços incompatíveis com as condições econômicas de grande parte dos países, a humanidade está à mercê dos interesses financeiros das grandes indústrias farmacêuticas para a pesquisa e o desenvolvimento de curas e tratamentos. Exemplos se dão nos números de remédios, vacinas e tratamentos para a malária, que praticamente não faz vítimas em países desenvolvidos e a AIDS, que apesar de ter forte incidência na África, atinge milhões de pessoas nos países mais ricos. Por fazer vítimas em países onde as pessoas possuem um maior poder aquisitivo, os doentes viraram mercado em potencial o que levou a um maior investimento em pesquisas e desenvolvimento de tratamentos para as doenças que afetam as populações mais ricas.
Um meio alternativo muito utilizado no Brasil são os remédios genéricos, mas tais remédios precisam esperar o vencimento das patentes das fórmulas dos remédios desenvolvidos por empresas privadas, o que pode demorar anos, para o composto se tornar domínio público e poder ser utilizado sem o pagamento de royalties para quem o desenvolveu, mas esse prazo de vencimento pode não condizer com a carência de um povo em relação a algum remédio. É nesses casos que a quebra de patentes se torna necessária, pois os governos locais devem ter prioridade em cuidar dos povos que representam e não nos lucros de um pequeno grupo de pessoas.
Problemas e questões financeiras se resolverão com tempo, mas a vida das pessoas não pode esperam por números em um gráfico empresarial. O que deveria ocorrer é o investimento público em pesquisas e desenvolvimento (P&D) no lugar do privado, assim os Estados, que são os mais prejudicados com a “propriedade intelectual”, não dependeriam mais de empresas e não se preocupariam mais em pagar royalties a elas, afinal todo candidato a cargo político promete melhorias na área da saúde, e não haveria melhoria maior do que o desenvolvimento de remédios que possam ser distribuídos a preços acessíveis, sem depender de iniciativas privadas.
Enquanto isso não acontece e até que os homens entendam que a vida é mais valiosa do que um cofre cheio de dinheiro, a quebra de patentes se fará necessária em países que não podem pagar por remédios.
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