A Europa está se esfacelando. Após os bombardeios dos grandes banqueiros aos pequenos países da zona do euro (ou melhor, ao povo desses países) o mundo observa atônito às consequências de um ataque terrorista inesperado em um país aparentemente pacífico e imune a crises financeiras (Noruega), aparentemente. É o fantasma do etnocentrismo rondando a Europa. Xenofobia, crise, corte nos gastos públicos, e agora o retorno do radicalismo de extrema-direita. Essas são características cada vez mais comuns ao "velho continente".
Um continente que já foi o centro do capitalismo mundial colhe novamente os frutos do mau que plantou. Seus países enfrentam crises financeiras, alguns viram reféns do setor privado e tem seu setor público literalmente saqueado (por exemplo, a Grécia). Outros, por enfrentarem o monstro do desemprego que anda rondando nações que já foram consideradas potências, como a França, Alemanha etc., adotam medidas de restrição às imigrações. A intolerância perante o estrangeiro é um traço cada vez mais marcante da política européia, e agora este mesmo fenômeno atinge a sua cultura. Movimentos ultradireitistas, racistas, xenófobos, e neofascistas ganham cada vez mais aceitação popular, e cadeiras nas assembléias legislativas dos diversos países desse continente.
Essa ideologia, sempre utiliza como discurso a intolerância, e muitas vezes,o que poderia ser considerado senso comum. O Francês perde seu emprego devido a diversos fatos ocorridos no mercado especulativo mundial, sente na pele o mal que o capitalismo trás a sua vida, porém associa a causa desse mal não aos seus reais culpados, mas sim àqueles que fogem de regiões desoladas do globo à procura de uma ocupação e que aceitariam a mais indigna que lhe proporem por necessidade. Assim, a culpa de todo o mal gerado pela farra nos mercados recai, injustamente, sobre as costas daqueles que sofrem justamente nas mãos desse mesmo sistema financeiro em seus países de origem. A política de proibição da utilização do véu islâmico em locais públicos na França é um exemplo muito claro desse tipo de intolerância. Sob uma justificativa forjada de incompatibilidade com os ideais cívicos do país em questão, as mulheres perdem o direito de usufruir de sua cultura num país que se autodenomina livre (aliás, por onde andam os ideais da revolução francesa?), claramente trata-se de mais um "incentivo" para que as populações de outros países (no caso, principalmente árabes) não ultrapassem as fronteiras francesas.
Assim, como Hitler utilizou os judeus e outras etnias/povos como bodes expiatórios para temperar seus discursos e conseguir ascender ao poder na Alemanha que estava sob uma crise política e econômica causada pela primeira guerra, grupos de ideologia semelhante adotam como bodes expiatórios os imigrantes vindos de outras regiões do globo em direção à Europa para justificar a instabilidade em suas economias.
Em meio a esse caldeirão que virou a Europa, algumas "ideologias"(não no sentido mais puro do termo) adotam uma atitude inversa à atitude acima descrita. Manifestações, como a organizada pelos “indignados” na Espanha, protestam contra o desemprego, a falta de liberdade cultural (só faltam patentear o alfabeto), e outras mazelas. Porém, a revolta desses dirige-se principalmente aos grupos dominantes de seus países e não a pobres imigrantes.
Todavia, nem todos possuem um ponto de vista bem formulado. O atentado da Noruega, ocorrido recentemente, foi como um sinal de fumaça da extrema direita dizendo: “- olhem só, estou aqui!”. Um homem mata algumas dezenas, e qual o motivo? Intolerância. Essas ideias mal formuladas dizem que tudo que ocorre de negativo no mundo seria culpa das "raças inferiores" (como se houvesse mais de uma raça ). Mas é um erro pensar que este foi um caso isolado e motivado pela loucura de uma mente perturbada, o buraco é muito mais embaixo. Recentemente, um parlamentar italiano afirmou que as ideias do norueguês Anders Behring Breivik (autor dos atentados) são "algumas boas, outra ótimas". Como o mundo responderá ao retorno desse tipo de pensamento?
Os especuladores nem de longe querem parar com seus jogos financeiros e de lucrarem à custa dos povos, as mídias regidas pela lógica de mercado pouco se preocupam em fazerem leituras críticas dos acontecimentos, o fantasma intolerante ronda não só a Europa como o mundo todo. Ao circular pela própria internet facilmente se encontram sítios que divulgam ideais neofascistas. O nazifascismo sairá dos livros didáticos onde é retratado como a história de um bigodudo maluco que mandou matar milhões de judeus num passado dito como remoto para dar um novo passeio pela realidade?
retirada de: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFJuCsceqUVtpQibglsyaqQUjxPTSCFB-ZPXG-QcB7wnSlgN8Qxct0V6lpzAQaIJwY4uLqv_hyphenhyphenUYUcJ3cSxbf2Zu0_-z92RzMfKQrqx7L90AvHGKBFuwO234-cIZ3EEhe_9oajfKbxUwY/s1600/imigra%C3%A7%C3%A3o.jpg
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